Gewinner der Karl Max von Bauernfeind-Medaille 2016
Logik, Moral und Welten
fatum 2 | , S. 28
Inhalt

O fantasma da contradição

Der Geist des Widerspruchs

Portugiesisch

Desde a primeira metade do século XX surgiram diferentes sistemas de lógica paraconsistente, como por exemplo a australiana de Graham Priest e Richard Sylvan, a belga de Diderik Batens e a polonesa de Stanisław Jaśkowski. Porém, é importante ressaltar que todas esses novos sistemas só foram possíveis graças a pioneira iniciativa do brasileiro Pr. Dr. Newton da Costa que foi um dos primeiros a desenvolver a ideia da lógica paraconsistente. Segue abaixo uma entrevista exclusiva com o professor, que agora estuda a teoria quântica de campos.

fatum: Sr. Newton, antes de o senhor começar a se dedicar ao estudo de filosofia, o senhor também estudou engenharia civil e matemática. Estas duas graduações tiveram alguma influência no seu trabalho de filosofia e lógica?

Newton da Costa: Sim. Por meio do estudo da engenharia, obtive informação de como as disciplinas teóricas, como a matemática e a física, podem ser aplicadas ao mundo que nos cerca; Já no curso de matemática, fui direcionado ao estudo de técnicas matemáticas sofisticadas, estas foram essenciais para minha compreensão da matemática e da ciência em geral. Tudo isso me conduziu diretamente a questões de metodologia e de lógica da ciência. Meu objetivo básico, creio que desde os quinze anos de idade, sempre foi o de entender o significado do conhecimento, em especial do conhecimento cientifico. Sendo assim, estes dois estudos foram relevantes para que eu pudesse entender o conhecimento científico, que é objetivo e tem base empírica. Aliás, no meu ponto de vista, acredito que a definição clássica deste conhecimento (das ciências dedicadas ao estudo de nosso contorno), deve ser adaptada passando a envolver o conceito de quase-verdade, pois para mim, o conhecimento científico é uma crença quase-verdadeira e justificada e portanto foi e é o tema nuclear de toda minha atividade filosófica.

fatum: O senhor é reconhecido, também, pelo desenvolvimento de uma especial vertente da lógica, que conhecemos hoje como lógica paraconsistente. O senhor pode nos dizer qual é a ideia básica dessa lógica?

da Costa: Em resumo, as lógicas paraconsistentes são lógicas de teorias inconsistentes embora não triviais. Uma teoria dedutiva é paraconsistente se sua lógica de base é paraconsistente. Uma teoria é inconsistente se existe pelo menos uma fórmula (bem formada de sua linguagem) tal que essa fórmula e sua negação são ambos teoremas da teoria; em caso contrário, a teoria diz-se consistente. Uma teoria é trivial se todas as fórmulas de sua linguagem são teoremas. Em uma teoria trivial „tudo“ que pode ser expresso em sua linguagem pode ser provado. Se a lógica subjacente a uma teoria é a lógica clássica, ou quaisquer das lógicas mais comuns, como a lógica intuicionista por exemplo, a inconsistência implica na trivialidade e reciprocamente. Deste modo, para se ter teorias inconsistentes e não triviais, é preciso que as teorias tenham como lógicas subjacentes uma nova categoria de lógicas: as lógicas paraconsistentes.

Uma contradição é a conjunção de uma fórmula e de sua negação. Se uma lógica for paraconsistente, ela pode ser a lógica de teorias que contêm contradições, sem serem triviais. Isto não acontece com a maioria das lógicas usuais, como a lógica clássica e a intuicionista.

fatum: Quais foram suas motivações para desenvolver essa nova vertente brasileira da lógica paraconsistente?

da Costa: Minha principal motivação para a criação da lógica paraconsistente foram os chamados paradoxos da teoria intuitiva de conjuntos, especialmente o de Russell. Para estes paradoxos serem evitados, foram introduzidas limitações nos princípios da teoria ingênua de conjuntos e a lógica clássica foi mantida. Eu procurei manter os princípios conjuntistas intuitivos em suas formulações mais fortes possíveis e, para evitar trivialidade, modifiquei a lógica subjacente, utilizando lógicas paraconsistente em vez da clássica. Assim, foram criadas teorias de conjuntos inconsistentes que aparentemente não eram triviais. Outra motivação foi a lógica dialética, que Popper, por exemplo, achava absurda por englobar contradições verdadeiras que, pela lógica usual, causariam trivialidade. Eu procurei evidenciar que as críticas de Popper não funcionavam, provando que há lógicas paraconsistentes tremendamente fortes que podem ser empregadas como base da lógica dialética.

fatum: A Quase-verdade significa um relativismo da verdade? Como o senhor definiria o conceito de quase-verdade, é possível dizer que não existe mais „a“ verdade e sim diferentes escalas da verdade?

da Costa: A quase-verdade pode ser informalmente definida assim: uma proposição (teoria, afirmação) p é quase-verdadeira em um domínio do saber D, dentro de certas aproximações, se em D tudo se passa como se p fosse verdadeira, segundo a teoria da correspondência da verdade, em D. Na ciência, a quase-verdade é regra praticamente geral, ela procura deixar claro que o que se consegue, usualmente é a quase-verdade e não a verdade pura e simples. Assim, não é correto sustentar-se que a mecânica quântica não relativista e a teoria algébrica quântica de campos sejam verdadeiras. Tudo o que se pode legitimamente afirmar é que elas são quase-verdadeiras em seus domínios.O problema central da teoria da quase-verdade centra-se na obtenção de um formalismo lógico-matemático que constitua a formalização do conceito de quase-verdade. O surpreendente é que a lógica da quase-verdade em determinado domínio, quando tornada precisa, é uma lógica paraconsistente. Teorias logicamente inconsistentes podem ser simultaneamente quase-verdadeiras em um mesmo domínio. Por exemplo, as formulações de Bohm e de Bohr (interpretação de Copenhagen) são ambas quase-verdadeiras no domínio da mecânica quântica usual, embora incompatíveis. Convém notar que a quase-verdade supõe, em certo sentido, o conceito de verdade como correspondência, especialmente com relação a certas proposições „simples“, que são quase-verdadeiras se e só se forem verdadeiras. A quase-verdade pode ser vista como uma generalização da verdade como correspondência.

fatum: Qual é a importância da especialização nas ciências da natureza?

da Costa: Em minha experiência de convívio com cientistas, principalmente físicos, é a de que sem especialização não é possível fazer ciência e os cientistas não conseguem atuar.

Neste ponto mostra se a importância do filósofo da ciência, pois ele é a pessoa que tentará coordenar o conhecimento, pois o cientista mesmo tem que se especializar.

fatum: O físico Richard Feynman falou uma vez: „cientistas precisam da filosofia da ciência para trabalhar tanto quanto um pássaro precisa da ornintologia para voar“. O senhor já trabalhou tanto quanto cientista como filósofo. Com relação à sua experiência, qual é a importância da filosofia das ciências para as ciências modernas?

da Costa: Eu não diria jamais, que os cientistas, como por exemplo, os físicos, necessitam conhecer filosofia da ciência para seu trabalho quotidiano. Entretanto a filosofia da ciência é de fundamental importância para se formar uma visão geral da atividade científica e de seu significado. Os cientistas, como os físicos por exemplo, com interesse em questões filosóficas só têm a lucrar com isso. Como ocorreu por exemplo com Bohr, Heisenberg e Bohm, esses foram grandes físicos que se interessaram por questões ligadas à filosofia da ciência. Esse exemplo na área da física, vale também para todas as ciências em geral. (Na realidade, Feynman era um tanto exagerado em suas afirmações, normalmente não as qualificando devidamente.)

fatum: Segundo Otavio Buenoals o senhor descreveu sua própria posição filosófica como „pragmatismo critico“. „Pragma“ significa na língua antiga, entre outras coisas, „ação“ e „coisa“. O que se esconde por trás do pragmatismo crítico na qualidade da posição filosófica?

da Costa: Há muito tempo estive procurando uma designação que representasse características salientes de minha posição filosófica. Quando Otavio Bueno sugeriu que eu empregasse a expressão „pragmatismo crítico“, percebi que se tratava de uma designação bastante apropriada. É claro que a emprego de modo muito pessoal, que pouco tem a ver com as doutrinas de Peirce, James e Dewey, que conheço pouco. Há dois componentes importantes nessa expressão. Em primeiro lugar, penso que a atividade filosófica seja sobretudo uma atividade crítica, de contínuo exame dos pressupostos empregados na investigação do mundo (quer sejam eles de ordem científica, lógica, metafísica, metodológica ou epistemológica). Ao se desenvolver uma proposta filosófica, não há nada que se encontre além da crítica.

Apesar disso, a filosofia possui ainda uma característica positiva, que busca apresentar respostas (ainda que parciais) a diversos problemas; no caso de minhas propostas, abordei sobretudo aqueles relativos a nosso conhecimento do mundo. Ao desenvolver minhas propostas, busco soluções que sejam sensíveis à prática científica, que acomodem e nos auxiliem a compreender os fundamentos da ciência.

E é na ciência, em particular, que encontro articuladas quase-verdades (que eu anteriormente chamei de verdades pragmáticas): enunciados parcialmente verdadeiros, verdadeiros em estruturas que capturam certos aspectos do mundo, ainda que não englobem tudo. São assim estes dois componentes, o pragmático e o crítico, que se encontram presentes na designação „pragmatismo crítico“, tal como a emprego.

fatum: Quais desenvolvimentos atuais na América do Sul o senhor considera impressionantes e excitantes?

da Costa: Acho que na América do Sul, nos últimos decênios, merece destaque o desenvolvimento da lógica e da filosofia da ciência. Isto aconteceu sobretudo no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela. Hoje a América do Sul possui lógicos e filósofos da ciência com destaque internacional.

fatum: O senhor consegue imaginar um forte trabalho em conjunto entre países sul-americanos e países europeus ou estas duas nações já trabalham juntas?

da Costa: Penso que já faz muito tempo em que há colaboração entre países sul-americanos e europeus. Por exemplo, a influência francesa sempre foi enorme na filosofia brasileira. Assim, todos os primeiros professores do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, a maior do Brasil, por volta de 1930, eram franceses. Por outro lado, a influência de pensadores alemães também foi muito forte no Brasil, inclusive havendo intercâmbio constante entre pensadores alemães e brasileiros, intercâmbio que tem sido constante desde meados do século XX. O auxílio da Europa foi, é e sempre será bem-vindo para todos nós sul-americanos.

fatum: O senhor tem a impressão, devido suas viagens, de que a filosofia é praticada de maneira e forma diferente nos outros países?

da Costa: Há, sem dúvida, um caráter nacional nas indagações filosóficas. Porém, aos poucos, os grandes filósofos acabam se convertendo em patrimônios da humanidade, transformando-se em marcos do pensamento, independente dos países em que nasceram.

fatum: Há uma relação entre lógica e moral? Problemas morais podem ser resolvidos com os resultados da lógica ou a lógica ajuda apenas a descrevê-los?

da Costa: Quando se recorre à uma lógica paraconsistente apropriada para se fundamentar a ética, facilmente se mostra que certos dilemas deônicos podem ser considerados apenas como dilemas psicológicos. Não creio que uma mudança de lógica resolva qualquer problema moral; porém, a logica paraconsistente nos ajudam a reinterpretar estes dilemas por outras perspectivas, contribuindo assim para uma análise crítica mais profunda.

fatum: É possível programar um robô para que ele pense moralmente?

da Costa: Essa é uma indagação para a qual, no momento, não se tem resposta segura…

fatum: No que o senhor está trabalhando atualmente?

da Costa: No momento estou me ocupando com a teoria quântica de campos. Procuro tratar as várias versões dessa disciplina por meio da quase-verdade. Por outro lado, em relação à mecânica quântica usual, elaborei uma nova categoria de lógicas, as chamadas lógicas não reflexivas, que, falando sem grande rigor, eliminam a identidade com referência a certos objetos (para alguns físicos, como Schrödinger, tais relações de identidade não podem ser aplicadas com sentido nas partículas quânticas elementares).

Deutsch

Seit der ersten Hälfte des 20. Jahrhunderts entstanden verschiedene parakonsistente logische Systeme, wie z.B. von den Australiern Graham Priest und Richard Sylvan, dem Belgier Diderik Batens und dem Polen Stanisław Jaśkowski. Allerdings ist es wichtig zu betonen, dass diese neuen Systeme nur möglich waren dank der führenden Initiative des Brasilianers Prof. Dr. Newton da Costa, der die parakonsistente Logik entwickelte. Nachfolgend findet sich ein exklusives Interview mit dem Professor, der sich aktuell mit der Quantenfeldtheorie beschäftigt.

fatum: Herr da Costa, vor Ihrem Studium der Philosophie haben Sie unter anderem Bauingenieurwesen und Mathematik studiert. Hatten Ihre Ingenieur- und Mathematikstudien einen Einfluss auf Ihre Arbeit als Philosoph und Logiker?

Newton da Costa: Ja. Durch mein Ingenieurstudium habe ich gelernt, wie man theoretische Fächer wie Mathematik und Physik auf die Welt um uns herum anwenden kann. Während meines Mathematikstudiums habe ich mich in Richtung der ausgeklügelten mathematischen Techniken orientiert.

Dies hatte einen wesentlichen Einfluss auf mein allgemeines mathematisches und naturwissenschaftliches Verständnis und führte mich direkt zu den Fragen der Methodik und Logik in Bezug auf die Wissenschaft. Diese beiden Studienfächer waren für mich wichtig, da ich die Bedeutung von Wissen, insbesondere der Erkenntnistheorie, die objektiv ist und eine empirische Basis hat, verstehen konnte. Das war seit meinem fünfzehnten Lebensjahr mein Hauptziel. Übrigens sollte meiner Ansicht nach die klassische Definition dieser Erkenntnisse (der Wissenschaften, die das erforschen, was es um uns herum gibt) angepasst werden, sodass das Konzept der Quasi-Wahrheit umfassend Anwendung findet. Denn für mich ist die wissenschaftliche Erkenntnis ein quasi-wahrer und gerechtfertigter Glaube und daher war sie, ist sie und wird sie immer das Kernthema all meiner philosophischen Aktivitäten sein.

fatum: Sie sind unter anderem für die Entwicklung einer besonderen Logik bekannt, die man heute als parakonsistente Logik bezeichnet. Was ist die Grundidee von parakonsistenter Logik?

da Costa: Kurz gesagt ist die parakonsistente Logik die Logik von Theorien, die zwar inkonsistent sind, aber nicht trivial. Eine deduktive Theorie ist parakonsistent, falls ihre logische Basis parakonsistent ist. Eine Theorie ist inkonsistent, sofern mindestens eine Formel (wohldefiniert in der jeweiligen logischen Sprache) vorhanden ist, so dass diese Formel und ihre Negation beides Sätze bzw. Theoreme der Theorie sind; andernfalls handelt es sich um eine konsistente Theorie. Eine Theorie ist trivial, wenn alle Formeln ihrer Sprache Theoreme sind. In einer trivialen Theorie lässt sich „alles“, was in der Sprache geäußert werden kann, beweisen. Wenn die der Theorie zugrundeliegende Logik die klassische Logik oder irgendeine gewöhnliche Logik ist, wie etwa die intuitionische Logik, dann impliziert Inkonsistenz Trivialität und umgekehrt. Um inkonsistente und nicht triviale Theorien zu haben, ist es daher notwendig, dass die Theorien eine neue Kategorie von Logik als Grundlage haben: die parakonsistente Logik. Ein Widerspruch ist die Konjunktion einer Formel und ihrer Negation. Wenn eine Logik parakonsistent ist, kann sie eine Logik von Theorien sein, die zwar Widersprüche enthalten, aber nicht trivial sind. Dies ist bei den meisten üblichen Logiken, wie der klassischen oder der intuitionistischen Logik, nicht der Fall.

fatum: Was waren die Motivationen für diese neue Art der brasilianischen parakonsistenten Logik?

da Costa: Meine Hauptmotivation für die Erschaffung der parakonsistenten Logik waren die sogenannten intuitiven Mengenlehre-Paradoxien, insbesondere von Russell. Um diese Paradoxien zu vermeiden, wurden Einschränkungen auf den Grundsätzen der naiven Mengenlehre eingeführt und die klassische Logik wurde beibehalten. Ich habe versucht, die Prinzipien der intuitiven Mengenlehre in ihren Formulierungen möglichst stark beizubehalten und habe, um Trivialität zu vermeiden, die zugrunde liegende Logik modifiziert. Statt klassischer Logik habe ich parakonsistente Logik verwendet. So wurden die Theorien der inkonsistenten Mengenlehre erschaffen, die anscheinend nicht trivial sind. Ein weiterer Beweggrund war die dialektische Logik, welche Popper zum Beispiel für absurd hielt, weil sie insgesamt wahre Widersprüche beinhaltet, welche in üblicher Logik Trivialität verursachen. Ich habe versucht zu zeigen, dass die Kritiken von Popper nicht funktionierten, indem ich bewiesen habe, dass es extrem starke parakonsistente Logiken gibt, die als Grundlage der dialektischen Logik verwendet werden können.

fatum: Ein weiteres bekanntes Konzept von Ihnen ist Quasi-Wahrheit. Bedeutet „Quasi-Wahrheit“ einen Relativismus der Wahrheit? Gibt es nicht mehr „die“ Wahrheit, sondern nur verschiedene Grade von Wahrheit?

da Costa: Quasi-Wahrheit kann informell wie folgt definiert werden: Eine Aussage (Theorie, Erklärung) p ist in gewissen Annäherungen quasi-wahr in einer Wissensdomäne D, wenn in D alles so passiert, als ob p nach der Korrespondenztheorie der Wahrheit in D wahr wäre. In der Wissenschaft ist die Quasi-Wahrheit fast eine allgemeine Regel. Diese Theorie versucht deutlich zu machen, dass man nicht reine und einfache Wahrheit erreichen kann, sondern nur Quasi-Wahrheit. Deswegen ist es nicht haltbar, dass die nicht relativistische Quantenmechanik und die Quantenfeldtheorie algebraisch wahr sind. Alles, was man legitim aussagen kann, ist, dass sie in ihren jeweiligen Domänen quasi-wahr sind. Das Hauptproblem der Theorie der Quasi-Wahrheit ist im Kern die Erstellung eines logisch-mathematischen Formalismus, der die Formalisierung des Konzepts der Quasi-Wahrheit leistet. Überraschend ist, dass die Logik der Quasi-Wahrheit in bestimmten Domänen, wenn sie präzise verwendet wird, eine parakonsistente Logik darstellt. Logisch inkonsistente Theorien können gleichzeitig quasi-wahr in derselben Domäne sein. Zum Beispiel sind die Formulierungen von Bohm und Bohr (Kopenhagener Interpretation) zwar inkompatibel, aber in der üblichen Domäne der Quantenmechanik beide quasi-wahr. Es sei darauf hingewiesen, dass die Quasi-Wahrheit in gewissem Sinne das Konzept der Wahrheit als Korrespondenz voraussetzt, besonderes im Bezug auf „einfache“ Sätze. Diese sind quasi-wahr, wenn sie wahr sind. Die Quasi-Wahrheit kann als eine Verallgemeinerung der Wahrheit als Korrespondenz gesehen werden.

fatum: Welche Rolle spielt Spezialisierung in den Naturwissenschaften?

da Costa: Meine Erfahrung im Zusammenarbeiten mit Wissenschaftlern, vor allem Physikern, ist, dass es nicht möglich ist, Wissenschaft zu betreiben und als Wissenschaftler aufzutreten, ohne sich zu spezialisieren. An diesem Punkt zeigt sich, wie wichtig der Wissenschaftsphilosoph ist. Er versucht nämlich, verschiedenes Wissen zusammenzuführen, während sich die Wissenschaftler selbst spezialisieren müssen.

fatum: Der Physiker Richard Feynman soll einmal gesagt haben „Wissenschaftler brauchen die Wissenschaftstheorie für ihre Arbeit ungefähr so sehr wie Vögel die Ornithologie zum Fliegen.“ Sie haben sowohl als Wissenschaftler, als auch als Philosoph gearbeitet. Welche Rolle spielt ihrer Erfahrung nach Wissenschaftstheorie für unsere modernen Wissenschaften?

da Costa: Ich würde nie sagen, dass Wissenschaftler, z.B. Physiker, sich in Wissenschaftsphilosophie auskennen müssen, um ihre tägliche Arbeit machen zu können. Allerdings ist Wissenschaftsphilosophie von fundamentaler Wichtigkeit dafür, einen Überblick über die wissenschaftliche Tätigkeit und ihre Bedeutung zu schaffen. Wissenschaftler mit Interesse an philosophischen Fragestellungen können davon nur profitieren. Dies war zum Beispiel bei Bohr, Heisenberg und Bohm der Fall. Sie waren große Physiker, die Interesse an Fragen der Wissenschaftsphilosophie hatten. Dieses Beispiel aus dem Bereich der Physik lässt sich auch auf alle anderen Wissenschaften übertragen. (In der Tat war Feynman in seinen Aussagen etwas übertrieben und hat diese oft nicht angemessen eingeschränkt.)

fatum: Sie haben ihre eigene philosophische Position in Anknüpfung an Otavio Bueno als „kritischen Pragmatismus“ bezeichnet. „Pragma“ bedeutet im Altgriechischen unter anderem „Handlung“ und „Sache“. Was verbirgt sich hinter dem kritischen Pragmatismus als philosophische Position?

da Costa: Vor langer Zeit suchte ich nach einer Benennung, die die hervorstechende Charakteristik meiner philosophischen Position darstellen würde. Als Otavio Bueno mir den Begriff „kritischer Pragmatismus“ vorschlug, merkte ich, dass es sich um eine sehr geeignete Bezeichnung handelt. Natürlich verwende ich den Begriff auf eine sehr persönliche Art und Weise, die wenig mit den Lehren von Peirce, James und Dewey zu tun hat. In diesem Ausdruck gibt es zwei wichtige Komponenten. Ich glaube, dass die philosophische Tätigkeit eine besondere kritische Aktivität ist, die kontinuierliche Prüfung von Annahmen in der Untersuchung der Welt (seien sie wissenschaftlich, logisch, metaphysisch, methodologisch oder erkenntnistheoretisch). Wenn man einen philosophischen Vorschlag entwickelt, erreicht man nichts anderes als Kritik. Trotzdem besitzt die Philosophie noch einen positiven Charakterzug. Sie sucht Antworten (wenn auch nur partielle) auf verschiedene Probleme; in meinem Fall habe ich versucht, vor allem jene anzusprechen, welche unsere Erkenntnis der Welt betreffen. Bei der Entwicklung meiner Vorschläge suche ich nach Lösungen, die sensibel auf die wissenschaftliche Praxis sind und dafür geeignet sind, uns zu unterstützen, die wissenschaftlichen Grundlagen zu verstehen. Im Speziellen sind es die Wissenschaften, in denen ich die Quasi-Wahrheiten antreffe (die ich früher als pragmatische Wahrheiten benannt habe): teilweise wahre Aussagen, die in Strukturen wahr sind und gewisse Aspekte der Welt erfassen, allerdings nicht allumfassend sind. Deshalb sind diese beiden Komponenten, die pragmatische und die kritische, in der von mir verwendeten Bezeichnung „kritischer Pragmatismus“ enthalten.

fatum: Welche aktuellen Entwicklungen der südamerikanischen Philosophie finden Sie beindruckend und aufregend?

da Costa: In den letzten Jahrzehnten sind in Südamerika die Entwicklungen der Logik und Wissenschaftstheorie sichtbar. Diese passieren vor allem in Brasilien, Argentinien, Chile, Kolumbien und Venezuela. Heute gibt es Logiker und Wissenschaftsphilosophen mit internationaler Prominenz in Südamerika.

fatum: Können Sie sich in der Zukunft eine stärkere Zusammenarbeit zwischen südamerikanischen Ländern und europäischen Ländern in der Philosophie vorstellen oder besteht diese Zusammenarbeit bereits?

da Costa: Seit langer Zeit gibt es eine Zusammenarbeit zwischen südamerikanischen und europäischen Ländern. Zum Beispiel gab es einen großen französischen Einfluss auf die brasilianische Philosophie. Somit waren die ersten Professoren in der philosophischen Abteilung der Universität von São Paulo (der größten in Brasilien um 1930) Franzosen. Natürlich haben die deutschen Denker auch Einfluss auf Brasilien, im Wesentlichen durch einen konstanten Austausch zwischen deutschen und brasilianischen Philosophen. Diesen Austausch gibt es seit Mitte des zwanzigsten Jahrhunderts bis heute. Die Zusammenarbeit mit Europa war, ist und wird immer für alle südamerikanischen Forschungen willkommen sein.

fatum: Haben Sie auf Ihren Reisen den Eindruck erhalten, Philosophie wird in unterschiedlichen Ländern auf unterschiedliche Weise betrieben?

da Costa: Es gibt zweifellos einen nationalen Charakter in philosophischen Angelegenheiten. Allerdings werden die großen Philosophen langsam zu einem Weltkulturerbe und so werden sie als Wahrzeichen des Denkens verwendet werden, unabhängig von den Ländern, in denen sie geboren wurden.

fatum: Gibt es eine Beziehung zwischen Logik und Moral? Lassen sich mit Ergebnissen der Logik moralische Probleme lösen oder nur beschreiben?

da Costa: Wenn man eine geeignete parakonsistente Logik verwendet, um die Ethik zu begründen, lässt sich leicht zeigen, dass bestimmte deontische Dilemmas nur als psychologische Dilemmas betrachtet werden können. Ich glaube nicht, dass eine Änderung der Logik jedes moralische Problem lösen kann; jedoch kann die parakonsistente Logik helfen, die Dilemmas aus einer anderen Perspektive zu interpretieren und sie vermag damit einen Beitrag zu einer tieferen kritischen Analyse zu leisten.

fatum: Wäre es möglich, einen moralischen Roboter zu programmieren?

da Costa: Dies ist eine Forschungsfrage, auf die es zur Zeit noch keine sichere Antwort gibt…

fatum: Woran arbeiten Sie im Moment?

da Costa: Derzeit bin ich mit der Quantenfeldtheorie beschäftigt. Ich versuche verschiedene Aspekte dieser Disziplin mit der Quasi-Wahrheit zu bearbeiten. Hinsichtlich der üblichen Quantenmechanik habe ich eine neue Kategorie von Logik aufgestellt, die sogenannte nichtreflexive Logik, die – grob gesagt – die Identität in Bezug auf bestimmte Objekte beseitigt (für einige Physiker wie beispielsweise Schrödinger können die Identitätsbeziehungen nicht sinnvoll zu den elementaren Quantenpartikeln hergestellt werden).

Literatur

N. C. A. da Costa, D. Krause e O. Bueno, Paraconsistent logics and paraconsistency, in: Handbook of the Philosophy of Science. Philosophy of Logics, 2007, 791–911.

N. C. A. da Costa, ‚My work on Logic and the Philosophy of Science‘, preprint, UFSC, 2014.

Luan Galani, O Mestre da Contradição, in: Jornal Gazeta do Povo, 22. Februar 2015.


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